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Promoção no mercadinho: leve 3 pague 2, combo e atacarejo sem perder margem
Quanto um desconto custa de verdade, por que leve 3 pague 2 quebra quem tem margem curta e como escolher entre preço promocional, atacarejo, leve X pague Y e combo.
"Vou dar 10% nessa semana para girar." A frase parece inofensiva. Mas 10% no preço não é 10% no seu bolso — é uma mordida direta na margem, que costuma ser bem menor que o preço. Quem tem 25% de margem e dá 10% de desconto acabou de abrir mão de 40% do lucro de cada unidade vendida.
Promoção não é um problema. Promoção sem conta é.
O que um desconto custa de verdade
Desconto sai inteiro da margem. Um produto de R$ 10 comprado por R$ 7,50 tem R$ 2,50 de lucro. Baixe o preço para R$ 9 e sobram R$ 1,50 — o mesmo produto, 40% menos lucro.
Para o mês fechar igual, o volume precisa compensar a diferença. Quanto você precisa vender a mais só para empatar:
| Margem do produto | Desconto de 5% | Desconto de 10% | Desconto de 15% |
|---|---|---|---|
| 20% | +33% | +100% | +300% |
| 25% | +25% | +67% | +150% |
| 30% | +20% | +50% | +100% |
| 35% | +17% | +40% | +75% |
Leia a linha de 20%: um desconto de 15% exige quadruplicar a venda daquele item para você terminar o mês no mesmo lugar. Não é "girar mais" — é um item que passou a trabalhar de graça.
Por isso desconto em mercearia seca (margem curta, 15% a 25%) quase nunca se paga em volume, enquanto hortifruti e padaria aguentam bem mais.
Leve 3 pague 2 é 33% de desconto
O formato mais popular do varejo é também o mais mal calculado. Levar 3 pagando 2 significa dar uma unidade em cada três: 33,3% de desconto sobre o trio.
Com um produto de R$ 10 e custo de R$ 7,50:
- Três unidades custam R$ 22,50 para você;
- O cliente paga R$ 20,00;
- Resultado: R$ 2,50 de prejuízo por trio vendido.
E quanto mais vende, mais perde. A margem mínima que cada formato exige só para empatar o custo:
| Formato | Desconto efetivo | Margem mínima para não ter prejuízo |
|---|---|---|
| Leve 2 pague 1 | 50% | 50% |
| Leve 3 pague 2 | 33,3% | 33,3% |
| Leve 4 pague 3 | 25% | 25% |
| Leve 6 pague 5 | 16,7% | 16,7% |
Repare que "não ter prejuízo" aqui é empatar — o lucro ainda é zero. Leve 3 pague 2 só sobra dinheiro acima de 33,3% de margem, e leve 6 pague 5 é o formato que cabe na maior parte do mix de um mercadinho.
Os quatro formatos e o que cada um resolve
Nem toda promoção serve para a mesma coisa. Antes de escolher o desconto, escolha o problema:
- Preço promocional — baixar o preço de um item por um período. Serve para tirar encalhe da gôndola e para responder ao concorrente da esquina. É o formato que mais queima margem, porque desconta também para quem já ia comprar.
- Preço por quantidade (o atacarejo) — R$ 4,50 a unidade, R$ 4,00 a partir de 6. Serve para aumentar o tamanho da cesta sem mexer no preço de quem leva uma só. É o mais eficiente em margem: o desconto só aparece no volume que você não venderia de outro jeito.
- Leve X pague Y — comunicação fácil, apelo forte na gôndola. Use em categoria de margem alta ou em produto perto do vencimento, onde o custo de não vender é maior que o desconto.
- Combo — preço fechado para um conjunto ("pão + leite + café por R$ X"). Serve para puxar o item de margem gorda junto com o de margem curta, e é o único formato que muda o mix da cesta em vez de só o preço dela.
A regra prática: se o objetivo é girar estoque parado, preço promocional ou leve X pague Y. Se é aumentar o ticket, atacarejo ou combo.
Três regras que evitam o prejuízo
Promoção precisa ter data para acabar. Preço promocional que ninguém lembra de encerrar vira preço normal — e aí a margem caiu para sempre sem ninguém decidir isso. Toda campanha nasce com início e fim.
Nem todo produto entra. Cigarro, refrigerante de marca líder e as commodities da cesta já trabalham com margem apertada. Desconto neles não atrai ninguém que já não viria; só reduz o que entra no caixa.
Dia e hora mudam o resultado. A promoção de hortifruti que faz sentido na sexta à tarde não faz sentido na terça de manhã. Limitar a campanha aos dias de menor movimento gira estoque exatamente onde falta gente, sem dar desconto no dia em que a loja já estaria cheia.
Depois: a promoção deu certo?
"Vendeu bastante" não é resposta. A pergunta é se o volume extra cobriu o desconto concedido — e isso só dá para saber comparando as duas coisas na mesma tela.
No KiPDV as quatro formas vivem no mesmo cadastro (preço promocional, preço por quantidade, leve X pague Y e combo), com vigência por período, dias da semana e faixa de horário. O caixa não precisa lembrar de nada: o PDV reconhece a regra na hora de bipar e aplica sozinha, inclusive quando duas promoções disputam o mesmo produto.
Cada item vendido guarda qual promoção foi aplicada, e é esse registro que alimenta o relatório de desempenho — quanto cada campanha girou e quanto custou em desconto. Se o custo de compra subir no meio da campanha, a revisão de preços na variação de custo avisa antes de a promoção virar prejuízo silencioso.
Antes de montar a próxima, vale revisar a conta que sustenta tudo isso: como calcular a margem de verdade. Promoção boa é a que você escolheu — não a que descobriu no fechamento do mês. Veja os planos e preços.
Perguntas frequentes
- Leve 3 pague 2 dá quanto de desconto?
- Um terço, 33,3% sobre o trio. Só empata o custo quem tem margem de 33,3% ou mais naquele produto. Com margem de 25%, cada trio vendido sai no prejuízo.
- Qual desconto posso dar sem perder dinheiro?
- Depende da margem do produto, não do preço. Com margem de 25%, um desconto de 10% derruba o lucro por unidade em 40% — você precisa vender 67% a mais só para empatar o mês.
- Qual promoção funciona melhor no mercadinho?
- As que aumentam o tamanho da cesta em vez de baixar o preço de quem já ia comprar: preço por quantidade (atacarejo) e combo giram estoque sem queimar margem do consumo normal.
- Como saber se a promoção deu lucro?
- Comparando o que ela vendeu com o desconto que concedeu. No KiPDV cada item de venda guarda a promoção que aplicou, e o relatório de desempenho mostra quanto cada campanha girou e quanto custou.